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22/11/2018

Banco Mundial: Reforma da Previdência precisa ser rápida e substancial

À frente do Banco Mundial no Brasil, o alemão Martin Raiser alertou, nesta quarta-feira, durante seminário no Rio, para a necessidade de uma reforma da Previdência “rápida e substancial”, sob o risco de limitar o potencial de crescimento da economia brasileira a algo perto de 2% ao ano.

Raiser, que participou do evento “Diálogos para o Amanhã”, realizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), afirmou que a reforma precisa ser aprovada já no ano que vem e ser substancial no sentido de alcançar, no mínimo, ganhos fiscais de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em dez anos.

O diretor lembrou que o Banco Mundial desenvolveu estudo sobre os gastos públicos no Brasil e concluiu que a Previdência é o motor do desequilíbrio. Além disso, o estudo identificou que o sistema de aposentadoria brasileiro é injusto, uma vez que 35% do dinheiro usado para bancar a Previdência beneficiam os 20% mais ricos.

O relatório do Banco Mundial sobre gastos públicos é de conhecimento da equipe de transição de Jair Bolsonaro (PSL), segundo ele. Raiser evitou comentar individualmente nomes da equipe de Bolsonaro, mas afirmou que tem ouvido de Paulo Guedes (futuro ministro da Economia) e do próprio presidente eleito manifestações favoráveis à reforma.

“Eles também estão comprometidos em continuar a política de abertura comercial, de forma gradual, claro. Temos boas perspectivas [para a economia], mas é preciso acompanhar a implementação dessas políticas, que são complexas no Brasil e em outros países”, disse ele.

Um dos grandes desafios da reforma da Previdência seria o convencimento da sociedade. As mudanças atingem interesses, como no caso de servidores públicos, que teriam suas contribuições elevadas. De outro lado, a inexistência da reforma pode ter custos maiores para a sociedade, com a volta da inflação. “As perdas seriam muito maiores do que fazer uma contribuição maior”, disse o diretor.

Na previsão mais recente do Banco Mundial, o Brasil deve crescer 2,2% no próximo ano. Esse crescimento pode se mostrar, contudo, um “voo da galinha” caso o país não consiga aprovar as reformas, avaliou Raiser. Para ele, o PIB potencial do Brasil estaria um pouco acima de 2% e pode chegar a 4% se a reforma da Previdência for aprovada.

Raiser também comentou a abertura comercial brasileira. Para ele, existe espaço para flexibilizar barreiras dentro do atual Mercosul, como no caso da tarifa de importação de tecnologia de comunicação, que teria taxas altas no Brasil e mais baixas no Paraguai. O diretor vê momento oportuno para essa discussão.

“Para uma abertura mais ampla e redução de tarifas, será necessária a colaboração de outro membros do Mercosul. O momento é propício porque tem na Argentina um governo também comprometido com abertura comercial”, disse.

 

Fonte: Valor Econômico